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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

SAUDADES...




VIAJAR E RETORNAR.

Depois da ressaca de prazer, o retorno ao dia-a-dia torna-se mais sofrido.

Viajar é sempre prazeroso. Escapulida da realidade, mergulho num sonho bom, transfiguração, transmutação, conhecimento e esquecimento.

Nas descobertas de uma nova realidade, de um outro modo de ser, pensar, agir, sentir, nos tornamos outros.

Retornar, no entanto, é pôr de lado toda essa massa de experiências e vivências,  especular o quanto foi bom, e começar a planejar a próxima viagem.

Adriano Monteiro.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

OS EXILADOS

Eles tristes, das praias do desterro,
Os olhos longos e arrasados de água
Estendem para aqui... Cravado o ferro
Da saudade têm n’alma; e é negra mágoa
A que lhes rala os corações aflitos,
É a maior da vida - são proscritos,
Dor como outra não há, é a dor que os mata!
Dizer eu: «Essa terra é minha... minha,
Que nasci nela, que a servi, a ingrata!
Que lhe dei... dei por ela quanto tinha,
Sangue, vida, saúde, os bens da sorte...
E ela, por galardão, me entrega à morte!


ALMEIDA GARRET


quarta-feira, 8 de junho de 2011

NOTA SOCIAL

O poeta chega na estação.
O poeta desembarca.
O poeta toma um auto.
O poeta vai para o hotel.
E enquanto ele faz isso
como qualquer homem da terra,
uma ovação o persegue
feito vaia.
Bandeirolas
abrem alas.
Bandas de música. Foguetes.
Discursos. Povo de chapéu de palha.
Máquinas fotográficas assestadas.
Automóveis imóveis.
Bravos...
O poeta está melancólico.


Numa árvore do passeio público
(melhoramento da atual administração)
árvore gorda, prisioneira
de anúncios coloridos,
árvore banal, árvore que ninguém vê
canta uma cigarra.
Canta uma cigarra que ninguém ouve
um hino que ninguém aplaude.
Canta, no sol danado.


O poeta entra no elevador
o poeta sobe
o poeta fecha-se no quarto.
O poeta está melancólico.


Carlos Drummond De Andrade